Palavra do Pastor 22/08/2008 22:42:25

Um cristão dia-a-dia

Há um texto que para mim sempre foi parâmetro quando o assunto é crescimento da igreja. Essa passagem bíblica trata do início da igreja primitiva, descrevendo a perseverança e o temor que havia em cada alma, além dos prodígios feitos por intermédio dos apóstolos. E certo dia, enquanto eu lia novamente esse mesmo texto sagrado, saltaram aos meus olhos duas expressões semelhantes e ao mesmo tempo essenciais. Está registrado no livro de Atos, logo após o derramamento do Espírito Santo (Pentecostes), que os discípulos de Jesus “perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor... Diariamente perseveravam unânimes no templo... tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (2.42,43,46,47). Podemos observar, aqui, que além da igreja passar a fazer do evangelho seu estilo de vida, vivendo agora em comunidade, ela também se preocupou com uma outra coisa: que isso ocorresse diariamente. Este princípio fez a igreja crescer poderosamente naqueles dias. Ela adotou ao pé da letra todos os ensinamentos de Jesus para a sua vida diária, praticando-os ininterrupta e fervorosamente. Como conseqüência disso, “dia a dia” mais pessoas, que simpatizavam com essa nova vida, eram salvas. Veja bem: não era “domingo a domingo” nem “mês a mês” que as pessoas eram salvas; era “dia a dia”. Ora, esta questão é muito séria. Podemos perceber, hoje, que há uma oscilação muito grande na vida espiritual de uma parcela considerável da igreja devido às constantes interrupções em sua comunhão com Deus. Isso vai minando o ânimo dessas pessoas, fazendo com que algumas delas, inclusive, não consigam mais permanecer na caminhada cristã. Será que Deus é o culpado por isto? Assim, ao invés de “permanecer no seu santo lugar”, como sugere o salmista (24.3), muitos irmãos acabam subindo e descendo o “monte do Senhor“ a todo instante. O que será que cansa mais? Subir e descer o monte, ou lá no alto permanecer? A Bíblia refere que Jesus ensinava no templo “diariamente” (Lc 19.47). No evangelho de João, questionado por curar no sábado, Ele declarou: “meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (5.17). Jesus era bem focado em sua missão. Por isso, Ele não dava qualquer lugar ao diabo em sua vida. Era como se Ele não tivesse “tempo” para o pecado. E quanto a nós? Qual tem sido a nossa missão de vida?
Algo que merece ser destacado é que a igreja primitiva conseguiu manter esse princípio de vida ao longo do tempo. Os apóstolos, “todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo” (At 5.42). As viúvas, por exemplo, faziam jus a uma “distribuição diária” (At 6.1). Como o número de discípulos sofreu multiplicação, houve a necessidade de eleição dos primeiros diáconos, para que eles servissem às mesas, suprindo essa demanda diária. Era a vida comum da igreja. Mais adiante, as igrejas que Paulo visitava “eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número” (At 16.5). Em Beréia, os judeus “receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17.11). Em Atenas, Paulo “dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali” (At 17.16). Em Efésios, visto que alguns da sinagoga “se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano. Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos” (At 19.9,10). Ao falar sobre alguns de seus desafios ministeriais - como as prisões, os açoites, os apedrejamentos, os momentos de fome ou nudez, além de perigos de toda sorte -, Paulo nos mostra o seu valor como homem de Deus ao escrever: “além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas” (2 Co 11.28). Segundo ele, aqueles momentos eram apenas desafios exteriores. O que tomava o seu coração diariamente eram as igrejas!
O que temos feito do nosso tempo, do nosso dia a dia? Quando Jesus falou sobre a vida de um discípulo, Ele disse: “se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Você não pode tomar a cruz só quando você quer. Ao querer ser um discípulo, você tem que tomar a cruz dia a dia. Você até pode decidir se você quer, ou não, ser um discípulo de Jesus - arcando, é claro, com as conseqüências de uma decisão negativa. Mas ao aceitar esse convite, você deverá estar disposto a tomar a sua cruz dia a dia. Caso contrário, você jamais conseguirá caminhar sobre as pegadas de Jesus. Você será como a “onda do mar, impelida e agitada pelo vento”. E Tiago conclui: “não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos” (Tg 1.6-8). Agora, note que naquele texto Jesus não disse “todos os dias”, mas “dia a dia”. Não devemos nos assustar com a jornada cristã. Lembre-se que Jesus disse: “não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Em outra passagem, o salmista Davi declara: “Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação” (Sl 68.19). Vivamos o cristianismo no dia de hoje como se ele o fosse o nosso último dia de vida na terra. Estejamos, hoje, preparados para a volta do Senhor Jesus Cristo. Estejamos animados, pois “mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2 Co 4.16).
Fonte: Christian Lo Iacono

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