Palavra do Pastor 26/07/2008 22:53:19

Agradando ao Pai

“Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus” (Ec 2.26). Para muitas pessoas neste mundo, essa afirmação é insignificante, não tendo valor algum. Isso porque não há fé em suas vidas, “não há temor de Deus diante de seus olhos” (Sl 36.1). Mas para nós, que sabemos que a fé vence o mundo, essas palavras têm sido determinantes, pois nos têm ensinado que é agradando a Deus que podemos ser realmente abençoados, como bem escreveu o salmista: “aos seus amados ele o dá enquanto dormem” (Sl 127.2).
Nas Escrituras encontramos muitos exemplos de pessoas que conseguiram tocar o coração de Deus, agradando-o efetivamente. “Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado porque Deus o trasladara. Pois antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus” (Hb 11.5). E é interessante observar que Enoque agradou tanto a Deus, que este ”o tomou para si” (Gn 5.24). Noé não foi diferente. Mesmo no meio de uma geração corrompida e cheia de maldade, ele foi tido como um “homem justo e íntegro entre os seus contemporâneos: Noé andava com Deus” (Gn 6.9). Moisés, que foi considerado o homem mais manso da terra, foi defendido por Deus contra seus irmãos rebeldes: “como, pois, não temestes falar contra o meu servo, contra Moisés?... que é fiel em toda a minha casa” (Nm 12.8,7). Referindo-se a Davi, o profeta Samuel declarou: “o Senhor buscou para si um homem que lhe agrada” (1Sm 13.14). E Deus disse: “Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade” (At 13.22). O próprio Jesus declarou: “aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29).
Todos esses homens alcançaram a bênção de Deus em suas vidas porque o real desejo dos seus corações era o de agradar a Deus e a ninguém mais. Eles não estavam preocupados com a opinião dos outros nem com a repercussão dos seus atos. Eles tinham em vista algo superior. Abraão é um bom exemplo disto. “Quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas” (Hb 11.17). É interessante notar aqui que Abraão evitou dar explicações aos seus servos e ao seu filho sobre o sacrifício que ele iria realizar. Ele apenas disse: ”esperai aqui... eu e o rapaz... voltaremos para junto de vós” (Gn 22.5). Assim, ele não procurou supervalorizar sua atitude diante dos outros nem tampouco quis que alguém tivesse pena dele. Ele estava preocupado com a opinião de Deus. E, por isso, ele foi chamado ”amigo de Deus” (Tg 2.23). Até parece que ele já havia escutado as palavras de Jesus: “guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte não tereis galardão junto de vosso Pai celeste” (Mt 6.1).
Quando estamos sozinhos, sem mais ninguém ao nosso redor para justificar algumas de nossas atitudes, podemos nos examinar para ver se o que estamos fazendo é realmente por amor ao Senhor. Qual é o pai que não sabe das reais intenções do seu filho e que não se alegra quando ele faz de tudo para agradá-lo? Não obterá este filho o favor de seu pai? Isso vale, inclusive, para aqueles momentos em que somos perseguidos. Somos ensinados a amar os nossos inimigos, detestando o mal e apegando-nos ao bem (Rm 12.1). E Paulo ainda acrescenta: “não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (v.21). Por quê? Pois foi assim que Jesus sempre agiu.
Outro exemplo bastante interessante é o de Abel e Caim. “Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho, e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou” (Gn 4.3-5). Aqui nós podemos perceber como Deus valoriza a intenção do coração do homem. Embora ambos fossem irmãos, suas atitudes foram bem diferentes quando eles tiveram a oportunidade de ofertar. Nesse sentido, falando sobre o povo de Israel, Paulo disse: “todos eles comeram de um só manjar espiritual... Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto” (1Co 10.3,5). Note que Deus “não se agradou da maioria”! Muitas vezes, nossa vida encontra-se num verdadeiro deserto espiritual, emocional ou material porque não temos agradado a Deus. Abel, com muita alegria, deu dos primeiros frutos do seu rebanho. Já Caim, “no fim de uns tempos”, trouxe “uma oferta ao Senhor”. Com isso, irou-se Caim. Deus, no entanto, lhe disse: “se procederes bem, não é certo que serás aceito?” (Gn 4.7). Assim, a Bíblia nos ensina que “pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala” (Hb 11.4).
As Escrituras também nos ensinam que, “de fato, sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6), e que “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8). É necessário que o Espírito Santo mortifique a nossa natureza terrena. Nesse sentido, o apóstolo Paulo ensinou que não devemos “agradar-nos a nós mesmos”, pois “também Cristo não se agradou a si mesmo” (Rm 15.1,3). Assim, como um filho procura agradar ao pai dando-lhe um presente que ele mesmo confeccionou com muito carinho e dedicação, vamos fazer de tudo para agradar ao nosso Deus, considerando-o nas coisas mais simples e pequenas da vida, pois Ele “prova os corações“ (1Ts 2.4).
Fonte: Christian Lo Iacono

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