Acredito que todos nós estamos inconformados não só com este século, mas também com a atual situação da igreja. Gostaríamos de ver um mundo diferente, sem a “impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça” (Rm 1.18); mas também gostaríamos de ver uma igreja diferente, “gloriosa, sem mácula, nem ruga nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.27). Talvez aqui devamos nos perguntar: Quem deve ter a iniciativa de mudar? Observando os dados do Censo Demográfico 2000, realizado pelo IBGE, fiquei chocado ao constatar que na cidade de Porto Alegre, capital do nosso Estado, apenas 9,33% da população declararam-se “evangélicos”. Este índice é um dos menores de todo o Brasil, ficando bem atrás de cidades como Araricá (30,41%), Nova Hartz (28,99%), Sapiranga (27,86%), Ivoti (25,67%), Novo Hamburgo (22,89%), Taquara (22,87%), Campo Bom (20,91%) e Estância Velha (20,84%). Em contrapartida, Porto Alegre tem o maior percentual de “espíritas” de todo o Estado (4,29%). Além disso, é a cidade com o terceiro maior índice de “umbandistas” (2,49%) do RS, ficando atrás apenas das cidades de Viamão (3,88%) e Alvorada (3,35%).
Jesus nos ensinou que certas classes de demônios só podem ser derrotadas com a oração e o jejum (Mt 17.21). Não vejo outra forma de vencermos esta batalha a não ser pela oração. Ao se dirigir a Timóteo, o apóstolo Paulo escreveu: “antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens” (1 Tm 2.1). Há uma expressão neste texto que merece a nossa atenção: “antes de tudo”. Isto quer dizer que antes de fazermos qualquer coisa no reino de Deus, precisamos orar. Os projetos e as próprias obras realizadas pela igreja não terão êxito algum se não orarmos primeiro. Por isso, Paulo ensina que a oração deve ser uma “prática” em nossa vida. Outra questão interessante é o fato de que devemos orar por “todos os homens”, sejam eles cristãos ou não, estejam eles investidos de autoridade ou não – o que mais uma vez reforça o entendimento de que a oração é o início de tudo no reino de Deus.
A igreja primitiva valorizou muito a oração no seu dia-a-dia, até porque ela não tinha outra escolha. Perseguida pelos judeus e pelos romanos, a quem mais podia ela recorrer senão a Deus? É bom dizer que Pedro só foi solto da prisão porque “havia oração incessante a Deus por parte da igreja” (At 12.5). Como assim “oração incessante”? Ora, a igreja simplesmente não estava disposta a parar de orar até que a resposta chegasse. Tanto isso é verdade que Pedro, logo depois de sair do cárcere com a ajuda do anjo, vai à casa de Maria, e lá ele percebe que “muitas pessoas estavam congregadas e oravam” (v. 12). O apóstolo Paulo também deu muita importância a este princípio. Não é de se estranhar que praticamente todas as suas cartas façam referência às suas incessantes orações a favor da igreja: “Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, em todas as minhas orações” (Rm 1.9,10). A sua consciência e a sua sinceridade a respeito do tema eram tão grandes que ele chegou a escrever que Deus era “testemunha” de sua vida de oração – pois ele fazia menção dos santos em “todas” as suas orações. Isso pode ser verificado também nas suas cartas aos efésios (“não cesso”, 1.16), aos filipenses (“sempre”, “todas as minhas orações”, 1.3,4,9), aos tessalonicenses (“sempre”, “sem cessar”, 1Ts 1.2), a Timóteo (“sem cessar”, “noite e dia”, 2 Tm 1.3), a Filemon (“sempre”, 4), etc.
As Escrituras nos mostram que os discípulos já “perseveravam unânimes em oração” desde a ascensão de Jesus. E assim eles se encontravam quando do advento do Pentecoste (At 1.14), tendo todos eles sido batizados no Espírito Santo. Havia também naquela época um respeito muito grande pela “oração da hora nona”. Realizada às quinze horas, era a primeira oração da tarde feita pelos judeus. Esta prática foi observada pelos apóstolos (At 3.1) e também por alguns cidadãos romanos, entre eles Cornélio - que, por tê-la respeitado, recebeu a visita do anjo e depois foi batizado no Espírito (At 10.30). Multiplicando-se o número de discípulos, os apóstolos entenderam não ser “razoável” abandonar a oração e o estudo da palavra de Deus para servir às mesas. Assim, eles escolheram diáconos para esta finalidade, e disseram: “quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.2-4). Esta atitude foi fundamental para o crescimento da igreja dali em diante. Porque se os irmãos de fato perseveravam na “doutrina dos apóstolos” (At 2.42), esta “doutrina” não podia conter imperfeições; ela precisava ser pura, divina, verdadeira. E para alcançar este padrão, os apóstolos realmente precisavam orar.
Devemos ser perseverantes na oração (Rm 12.12, Cl 4.2). Sem isso, dificilmente teremos êxito na evangelização. Paulo escreveu aos colossenses: “perseverai na oração... suplicai ao mesmo tempo, também por nós, para que Deus nos abra porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo... para que eu o manifeste, como devo fazer” (Cl 4.2-4). Somente a oração poderá fazer com que a nossa exposição do evangelho seja adequada. A oração é que nos fará saber “como responder a cada um” (v. 6). Mas nosso crescimento espiritual também depende da oração. Veja o que Paulo ensinou logo adiante: “saúda-vos Epafras... o qual se esforça sobremaneira, continuamente, por vós, nas orações, para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus” (Cl 4.12). Muitas vezes nos esquecemos de que precisamos orar para que nossos irmãos sejam conservados na fé! Tiago chegou a escrever que devemos orar “uns pelos outros” para sermos “curados”, pois “muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16).
Mas você pode estar pensando: eu me sinto tão fraco para orar! Lembre-se que o Espírito “nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Deus conhece todas as nossas limitações. Foi por isso que Ele nos enviou o Consolador, que, de uma forma sobrenatural, nos guia pelo caminho da vitória. Paulo certa vez escreveu: “rogo-vos, pois, irmãos... que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor” (Rm 15.30). A oração é uma arma que Deus nos deu contra o nosso inimigo. “O fim de todas as cousas está perto. Sejam prudentes e estejam alertas para poder orar” (1 Pe 4.7, NTLH).
Fonte: Christian Lo Iacono