Um guia precisa ter uma boa visão para evitar obstáculos, a fim de levar quem está guiando até o objetivo desejado. Ao assistirmos corridas de cegos, percebemos que o treinador enxerga bem, e corre junto, orientando o corredor cego a permanecer na pista corretamente até alcançar a linha de chegada. A confiança do corredor cego está na boa visão do seu treinador. Se fossem ambos cegos, não haveria orientação adequada. Se o guia não vê muito bem, como poderá orientar seu seguidor com segurança? Já perguntava Jesus: ”não cairão ambos no barranco?” Assim como uma boa visão natural nos leva a andar pelo melhor caminho, uma boa visão espiritual nos leva a viver uma vida melhor, tendo clareza no que fazemos e ensinamos a quem está conosco. Este é o tema abordado por Jesus em Lc 6.39-42. A responsabilidade de quem orienta alguém é, em primeiro lugar, a de cuidar de si mesmo. Devemos considerar cuidadosamente nossas falhas antes de apontá-las em outro indivíduo. “Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu?” Como poderemos ter discernimento adequado para edificar nosso lar se não conseguimos discernir nossas próprias faltas? A verdade é que temos dificuldade em olhar para nós mesmas em busca do que é falho. Se não vemos nada em nós a ser tratado, o mais provável não é que não tenhamos ajustes a serem feitos, mas sim que estejamos “cegas”, ou com algum bloqueio em nossa visão. Como está escrito: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1Jo 1.8). Precisamos conhecer bem nossa condição natural, e saber que Deus é quem sonda nossos corações e que somente Ele pode nos dar uma visão clara e adequada de quem realmente somos; pois na nossa carne não habita bem nenhum (Rm 7.18). Jesus também disse que um discípulo bem instruído pode tornar-se como seu mestre e, assim, achar-se apto a ensinar a outros (Lc 6.40). A nossa esperança está em nos tornarmos, em primeiro lugar, boas discípulas de Cristo, para que aprendendo com o Mestre, que é a luz do mundo, possamos ser cada vez mais como Ele, tendo uma visão clara para conseguir evitar os barrancos desta vida, podendo, assim, guiar corretamente a quem nos compete fazê-lo.
Fonte: Carolina Lo Iacono