Palavra do Pastor 20/09/2010 11:28:33

Igreja, coragem!

Muitas expressões têm sido utilizadas para definir a palavra “coragem” em nossa língua: “firmeza de ânimo perante o perigo, os reveses, os sofrimentos; intrepidez; ousadia; perseverança; bravura; ...ânimo” (Moderno Dicionário Enciclopédico Brasileiro, 9a edição, página 215). E hoje em dia, vemos várias pessoas procurando demonstrar sua coragem perante a sociedade através - muitas vezes - de uma busca precipitada pela auto-afirmação, ou pela independência e a auto-suficiência, ainda que para alcançar esses ideais seja necessário, em alguns casos, até mesmo o uso da força física. Homens e mulheres que, em nome da “coragem”, hoje enfrentam obstáculos que superam as suas próprias capacidades físicas, psíquicas e emocionais, estando dispostos a encarar o risco e a arcar com os prejuízos decorrentes do insucesso; indivíduos que tomam decisões como se a vida fosse um jogo de “sorte”, uma loteria, sem muitas vezes terem a real noção da conseqüência de seus atos; jovens que “tentam” um curso superior diferente; adolescentes que “tentam” um relacionamento ou um namoro diferentes; adultos que “tentam” uma profissão diferente, uma vida diferente, tudo em busca da tão comentada felicidade.
Entretanto, ao tratar do pecado de Israel, Deus disse que faria oscilar a terra debaixo do homem “como oscila um carro carregado de feixes. De nada valerá a fuga ao ágil, o forte não corroborará a sua força, nem o valente salvará a sua vida. O que maneja o arco não resistirá, nem o ligeiro de pés se livrará, nem tampouco o que vai montado a cavalo salvará a sua vida. E o mais corajoso entre os valentes fugirá nu naquele dia, disse o Senhor” (Am 2.13-16). Algo semelhante ocorreu quando Ezequias e Isaías clamaram e oraram ao céu (2 Cr 32.7,8), pois “o Senhor enviou um anjo que destruiu a todos os homens valentes, os chefes e os príncipes no arraial do rei da Assíria; e este, com o rosto coberto de vergonha voltou para a sua terra. Tendo ele entrado na casa de seu deus, os seus próprios filhos o mataram à espada” (2 Cr 32.21).
Portanto, o que é “coragem” aos olhos de Deus ? A resposta a essa pergunta está no livro de Josué. Ali, Deus deu ao seu servo as seguintes instruções: “sê forte e corajoso, porque tu farás a este povo herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais. Tão-somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem sucedido por onde quer que andares” (1.6,7). Ora, nessa passagem das Escrituras, Deus pediu que Josué tivesse “coragem” para obedecer seus mandamentos. Longe de qualquer valentia natural, física ou psíquica, as quais dependem, essencialmente, das capacidades do ser humano para enfrentar o risco e para arcar com os prejuízos decorrentes do insucesso, Deus pediu que Josué tivesse coragem apenas para confiar Nele. Por isso, afastada a idéia do risco, ao qual o ímpio necessariamente se expõe para justificar a sua bravura, “coragem”, para o cristão, é ter a convicção de que pela obediência à palavra de Deus sua vitória está garantida. Para que Israel chegasse à Canaã, a terra prometida por Deus, Josué teria que cumprir rigorosamente todos os mandamentos do Senhor. Em outras palavras: para chegarmos à abundância de vida que Deus preparou para todos nós, devemos trilhar o caminho da obediência. E não foi outro o segredo do sucesso de Davi diante de Golias (1 Sm 17.45-47). Também foi essa a causa da libertação dos israelitas do Egito, já que “no dia seguinte ao da Páscoa saíram os filhos de Israel corajosamente aos olhos de todos os egípcios, enquanto estes sepultavam todos os seus primogênitos” (Nm 33.3,4), pois eles creram na promessa de uma terra que manava leite e mel e saíram do Egito (Ex 3.8).
E este é o desafio de Deus para a igreja: que tenhamos a coragem de obedecê-lo. Deus procura homens e mulheres que tenham coragem de ter uma vida santa diante do mundo; pessoas que tenham coragem de dizer “não” ao pecado, às más influências e conversações torpes, e a tudo aquilo que venha entristecer o Seu Espírito. Ora, Deus advertiu ao povo de Israel para que não fizesse aliança com outros povos, nem permitisse que estes habitassem sua terra, com receio de que seu povo pecasse contra Ele (Ex 23.32,33 e Dt 31.3-6). E Josué foi vitorioso porque cumpriu à risca o que Deus lhe havia determinado (Js 10.24-27).
É tempo de buscarmos um comprometimento cada vez maior com Deus, para que o mundo descubra que a nossa coragem está respaldada na fidelidade de Jesus Cristo, pois estamos certos de que “se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele nos ouve” (1 Jo 5.14). Igreja, CORAGEM !


Fonte: Christian Lo Iacono

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